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Boa Onda

 

 

 

 

 

Garrett McNamara, aos 45 anos de idade, é um “extreme waterman”, um dos mais audazes surfistas de ondas grandes do nosso tempo. Gosta de desafiar os limites. Quando ainda era adolescente, a família foi viver para o Hawai e, ali, ele explorou tudo aquilo que o mar e as ondas propiciavam. Mas quis mais. Procurou mais. Soube que em Portugal, país com uma extensão costeira superior a 1200km, existia o “canhão da Nazaré” com ondas consideradas como as maiores e as melhores no mundo.

Não perdeu tempo. Garrett viajou para Portugal e ficou deslumbrado com a magia e o potencial do “canhão”. Quis estudá-lo em profundidade. Mergulhou nos estudos do Instituto Hidrográfico Português para compreender a formação daquelas ondas únicas e gigantes. Explorou-as vezes sem conta. Até que, em 3 de Novembro de 2011, conseguiu. “Cavalgou” uma onda gigante com 27 metros e meio de altura e bateu, por nove metros e meio, o anterior recorde do mundo, fixado em 2008, por uma outra lenda americana do surf, Mike Parsons. As imagens da Nazaré e de Garret McNamara a bater este recorde do mundo e a entrar para o livro Guinness não se ficaram por Portugal. A onda inalcançável correu para além do Atlântico. Deu a volta ao mundo e as imagens do quase impossível feito não param de ser vistas e revistas.

“Gigantes, poderosas, pesadas, incrivelmente pesadas”, assim descreveu Garrett, no areal da praia do Norte, na Nazaré, a proeza que acabava de conseguir.

O “canhão da Nazaré” é um raro fenómeno geomorfológico há milhares de anos na costa portuguesa: um desfiladeiro submarino, com 170 quilómetros de extensão, que funciona como polarizador de ondulações. Uma extensão superior, imagine-se, à costa algarvia (150 km) o que confirma a imensidão e a particularidade que a zona da Nazaré consegue oferecer. As ravinas atingem uma profundidade que ronda os 5 mil metros. As ondas viajam em velocidade acelerada pela falha geológica e chegam à praia quase sem dissipação de energia . É assim que a Praia do Norte, na Nazaré, tem constantemente ondas maiores do que as de qualquer outro lugar da costa atlântica portuguesa.

Desta forma são muitos os “extreme waterman” de todo o mundo, que ficam seduzidos pelo “canhão da Nazaré”. Figuras como o irlandês Alistair Mennie, o inglês Andrew Cotton, o francês Peyo Lizarazu, ou os campeões portugueses como José Gregório e Ruben Gonzalez, privilegiam a Praia do Norte para praticar surf ao mais alto nível. O potencial é imenso! A distinção nos Billabong XXL Awards na categoria de Maior Onda Surfada do Ano é também a prova disso. É o reconhecimento internacional! Considerado por muitos como o óscar das ondas, este prémio vem apenas confirmar e projetar ainda mais as águas da Nazaré como um local privilegiado e um destino de topo para a prática de surf. 

André Santos e António Vieira